Novos caminhos

saindo do castelo...

Posted by Bia Watanabe | 20 de junho de 2016 | Pensamentos
boneco verde na casa de doces
Hoje, vou escrever mais sobre a pergunta que está na minha mente, aquela lá de cima, sobre fazer doutorado para virar artista e, quem sabe, dar aula para crianças. Pode ser um certo espanto falar que fiz doutorado em Engenharia de Produção para depois ter a ideia de apostar na carreira artística.

Mas, vamos aos fatos: eu sou artista… Desde que nasci sempre gostei de desenhar, escrever, criar coisinhas. Só que eu acreditei no que todo mundo dizia: “artes vai ser um hobby”. Sempre ouvi falar que não dá dinheiro, que é difícil, que teria que arrumar outra coisa para fazer para depois fazer o que gosto. Acho que isso vem de uma família bastante tradicional e com muitos engenheiros e até a própria escola que nunca ofereceu artes de forma aprofundada. Não quero jogar a culpa nos outros, mas é difícil “sair do armário” em um ambiente assim.

Bom, de fato, não é algo fácil e que pode, realmente, não dar muito dinheiro. Acho que ninguém estava mentindo para mim, mas fico pensando se é assim exatamente porque as pessoas pensam dessa forma e tratam a arte como algo supérfluo… que cai do céu. Enfim, não vou me enveredar por aí agora.

Sempre tive idas e vindas com essa parte artística da minha vida. Ao mesmo tempo, queria ler e estudar sobre muitos temas atuais fora do meio das artes. Então, de uma forma fluida acabei indo fazer o mestrado e depois o doutorado na engenharia (em um segundo momento, espero poder escrever mais sobre o que foi ser pós-graduanda de universidade pública). Eu precisava demais daqueles anos de leitura e de mergulhar em conceitos. Era a hora de entender o porquê de certas escolhas e o que poderia querer para um futuro de um ponto de vista pessoal e profissional. Eu devorei livros e mais livros, praticamente todo assunto me interessava. Não sabia daonde viria um tema que poderia me chamar a atenção e queria abrir meus olhos para outras coisas.

citação de poema invictus

Citação do poema Invictus de William Ernest Henley.

Estudar muito assim dá até uns revertérios! Foi quando comecei a usar óculos e muita coisa que eu pensava começou a chacoalhar. Muitas ideias estavam passando pela mente. Mas, apesar dos momentos de mais solidão e de embates com nossos próprios pensamentos, essa fase da pós foi uma época positiva. É como buscar a minha própria autoria nesses anos de estudos.

Eu tinha lacrado a arte dentro de mim nos primeiros anos do mestrado. Pensava que era hora de fazer algo mais de mercado e empresas, menos de subjetividade e cores. Até que vieram alguns acasos e oportunidades, como finalmente eu poder comprar um kit de aquarela de bom nível e conseguir um bom bloco de viagem aquarelável no final de 2012. Quando dei por mim, estava andando em minha primeira tentativa de desenhar uma paisagem pelo Rio de Janeiro com um amigo meu que me incentivou para tanto. Não gostei tanto dos resultados dessa primeira investida, mas eu não desisti.

Desenhava de vez em quando no começo. Tinha muita coisa para conciliar com a vida acadêmica. Depois de uns meses, comecei a conceder mais tempo para o desenho. Depois, ainda mais tempo. Até que, quando acabou o doutorado meu foco se colocou prioritariamente sobre a arte.

Mas, o que posso dizer do doutorado? Nesse período me perguntei bastante o que poderia fazer com imagens e também foi um tempo onde consegui dar algumas aulas com viés para o desenho, formas e cores. Seja para um projeto de letramento de jovens e adultos, para a graduação da engenharia de produção ou para adolescentes em um curso preparatório para o vestibular tive a chance de entender melhor o que o lado criativo e manual poderia fazer em sala de aula. E comecei a pensar que um lugar muito interessante de poder semear para ver resultados futuros depois é com os alunos de escola. Começar lá do básico! Lá onde há muitas possibilidades. Talvez, esse percorrido seja uma forma própria de tentar democratizar a arte, a expressão de cada um.

Estar numa posição privilegiada de poder estudar muito e depois, dar aula em uma turma onde o ensino básico faltou – o que não é algo incomum em nossa realidade -, faz pensar bastante sobre as estratégias que se pode tomar.
Toda a pesquisa, metodologias, grandes autores analisados durante a fase da pós-graduação servirão para fomentar como posso ensinar e estimular alunos lidando com imagens. Quem sabe, haverá ainda muita pesquisa para ser feita em temas que ainda irei descobrir. A pesquisa é fascinante e é ela que organiza a novidade para a gente e para os outros. Mas, agora é uma boa hora para sair do castelo do conhecimento (ou da casa de doces? – ainda irei terminar esse desenho que ilustra o post e contar melhor essa história também) e seus feudos tão isolados para ter a experiência com os outros.

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